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Santa Casa de Caridade de Bagé corre risco de colapso, diz Simers





02/07/2026

A crise financeira da Santa Casa de Caridade de Bagé avança e já compromete o funcionamento de serviços considerados essenciais. O alerta é do diretor da Fronteira Oeste do Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (Simers), Felipe Rodrigues Cunha, em entrevista ao Bagé Agora.

 

Ele afirma haver risco iminente de colapso da assistência hospitalar devido à falta de profissionais para cumprir as escalas de julho.

 

Segundo o dirigente, o Sindicato vem alertando autoridades e a administração do hospital há quase um mês sobre a gravidade da situação, mas, até o momento, não houve medidas efetivas para evitar o agravamento da crise.


"A situação da saúde em Bagé é alarmante e reflete um descaso preocupante com a segurança dos pacientes. O que causa maior indignação é a passividade das autoridades, que foram formalmente notificadas e não adotaram providências para impedir o colapso", afirmou.

 

De acordo com Cunha, a proposta de regularizar os atendimentos em até 30 dias não é viável, já que muitos médicos deixaram a instituição e assumiram vínculos em hospitais de municípios como Santana do Livramento, Dom Pedrito e Pelotas.


"Não se trata de falta de vontade dos profissionais, mas de uma impossibilidade física e contratual. Esses médicos já assumiram outros compromissos", explicou.

 

UTI preocupa

A situação mais preocupante é a da Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Conforme o diretor do Simers, há diversos dias de julho sem cobertura médica, colocando em risco pacientes internados em estado grave, inclusive aqueles que dependem de ventilação mecânica.


Além da UTI, o hospital enfrenta graves lacunas nas escalas de outras especialidades. A partir de 22 de julho não há anestesistas previstos para atender urgências, emergências e o bloco obstétrico. Também faltam médicos clínicos para assistência aos pacientes internados em diversos dias do mês, enquanto a UTI ficará sem médicos em pelo menos 14 datas de julho.

 

Atendimentos eletivos 

A crise também já atingiu os atendimentos eletivos. Desde 1º de julho foram suspensas consultas de oncologia e de outras especialidades, além de exames de imagem e endoscopias. Segundo o Simers, apenas os atendimentos de urgência e emergência seguem sendo realizados, ainda assim com equipes reduzidas.

 

Urgência 

Para Felipe Rodrigues Cunha, a única alternativa capaz de evitar o colapso imediato é a liberação urgente de recursos financeiros para pagamento das equipes médicas e recomposição das escalas.


"Discutem-se emendas parlamentares, mas o hospital precisa de dinheiro agora. Sem um aporte financeiro imediato, não haverá condições de manter o atendimento durante o mês de julho", afirmou.

 

Em reuniões recentes, segundo o diretor, foi mencionada a possibilidade de destinação de cerca de R$ 5 milhões por meio de emendas parlamentares. No entanto, até o momento não há confirmação sobre a liberação dos recursos nem um cronograma de pagamento.


O Simers alerta que, sem uma solução emergencial, a tendência é de agravamento da crise ao longo de julho, com ampliação da suspensão de serviços e aumento do risco à população que depende exclusivamente da Santa Casa para atendimento de média e alta complexidade.