Após cerca de 15 horas de julgamento, o Tribunal do Júri condenou o publicitário Tiago Alano Vargas, de 38 anos, a mais de 22 anos de prisão pela morte de Ana Carolina Kamphorst Cardoso. A sessão teve início por volta das 10h desta quinta-feira (25) e encerrou à 1h da madrugada desta sexta-feira (26), quando a juíza Jéssica Boms fez a leitura da sentença.
O crime ocorreu no dia 12 de agosto de 2023, entre aproximadamente 3h e 16h28, no apartamento da vítima, localizado na área central de Bagé.
Durante o julgamento foram ouvidos informantes e testemunhas, entre eles o pai do réu, dois médicos-legistas, policiais civis e duas amigas de Ana Carolina.
Depoimento do réu
Por volta das 15h48min, Tiago Alano Vargas iniciou seu interrogatório. Ele respondeu apenas às perguntas da defensora pública Tatiana Boeira, de Porto Alegre. A advogada foi incisiva nos questionamentos, com perguntas minuciosas sobre cunho pessoal e preferências sex&ais do réu.
Durante o depoimento, o réu negou ter matado Ana Carolina, mas admitiu ter fotografado o corpo da vítima após os fatos, afirmando estar arrependido dessa atitude.
Ele relatou que se encontrou com Ana Carolina em um bar e que, ao longo da madrugada, os dois passaram pela Praça da Estação, onde ele adquiriu drogas, seguindo depois para o apartamento da vítima. Segundo seu relato, ambos consumiram bebidas alcoólicas, drogas e ela ingeriu medicamentos.
Ainda conforme sua versão, os dois tentaram manter uma relação íntima, mas isso não ocorreu. O réu afirmou que, em seguida, Ana Carolina ingeriu medicamentos, apresentou dificuldades para permanecer em pé e foi ajudada por ele a deitar. Disse que acreditava que ela estivesse dormindo quando registrou as imagens.
O publicitário também declarou que dormiu no apartamento, acordou por volta das 14h30min, enviou algumas mensagens pelo celular, voltou a dormir e deixou o local acreditando que a vítima ainda dormia. Segundo ele, somente mais tarde, ao saber da morte de Ana Carolina, imaginou que ela pudesse ter sido causada pela ingestão dos medicamentos.
A acusação
A sustentação oral do Ministério Público começou por volta das 18h10min , conduzida pelo promotor Diogo Taborda.
Conforme a denúncia, Tiago Alano Vargas matou Ana Carolina por asfixia, utilizando recurso que impossibilitou a defesa da vítima. O Ministério Público sustentou ainda que o crime foi praticado contra mulher por razões da condição do sexo feminino, configurando feminicídio.
A acusação apontou que, após passarem por diferentes locais da cidade, o réu e a vítima seguiram para o apartamento dela. No imóvel, segundo a investigação, Ana Carolina foi surpreendida e morta por asfixia. Laudos periciais concluíram que a causa da morte foi sufocação direta.
O Ministério Público também denunciou o réu por vilipêndio de cadáver e por registrar imagens do corpo da vítima sem autorização, além de destacar que, após deixar o apartamento, ele enviou mensagens ao celular de Ana Carolina em uma tentativa de aparentar preocupação.
Acusação e defesa
Os debates entre acusação e defesa foram marcados por momentos de forte confronto de argumentos, o que levou à realização de réplica e, com ambas as partes utilizando o tempo de uma hora para sustentar suas teses.
A defesa manteve a versão de que Tiago Alano Vargas não matou Ana Carolina, sustentando que ele acreditava que a vítima estivesse viva quando permaneceu no apartamento. Também argumentou que não houve vilipêndio de cadáver, justamente porque, segundo a tese defensiva, o acusado desconhecia a morte da jovem naquele momento.