A atuação do fenômeno El Niño deve provocar um inverno mais quente e com aumento gradual das chuvas na região da Campanha gaúcha nos próximos meses. O alerta é do pesquisador da Embrapa Pecuária Sul, Gustavo Trentin, que detalhou os impactos esperados para a pecuária, agricultura e áreas urbanas.
Segundo o pesquisador, o cenário atual ainda é de neutralidade climática, mas a tendência é de fortalecimento do El Niño a partir do fim de junho. Com isso, o inverno deverá registrar temperaturas acima da média histórica e redução na ocorrência de geadas.
Trentin explicou que o aquecimento das águas do Oceano Pacífico, próximo à linha do Equador, combinado ao aquecimento da região oceânica próxima ao Uruguai, influencia diretamente o clima no Sul do Brasil. Conforme ele, esses fatores aumentam as chances de períodos mais quentes e úmidos ao longo do inverno e da primavera.
De acordo com o pesquisador, as chuvas devem ficar próximas da média durante o inverno, variando entre 100 e 150 milímetros mensais na região da Campanha. No entanto, ele ressalta que os volumes tendem a se intensificar entre setembro e outubro, período em que historicamente o El Niño provoca episódios de chuva excessiva.
“Quando o El Niño está em ação, a frequência das chuvas aumenta e o volume por evento também costuma ser maior”, pontuou.
Na pecuária, o excesso de umidade pode prejudicar o desenvolvimento das pastagens devido ao encharcamento do solo e à redução da radiação solar causada pela nebulosidade. Apesar disso, Trentin explicou que períodos sem chuva entre os eventos ajudam na recuperação das áreas e no crescimento da vegetação.
Já nas culturas de inverno, como trigo, cevada e aveia, o pesquisador alerta para o aumento do risco de doenças fúngicas. Segundo ele, a maior umidade do ar favorece a formação de orvalho, criando condições propícias para a proliferação de fungos.
Entre as estratégias recomendadas aos produtores rurais estão o monitoramento constante das lavouras e o manejo adequado das pastagens, incluindo cortes e roçadas para reduzir a presença de patógenos nas plantas.
O pesquisador também chamou atenção para os impactos urbanos das chuvas intensas. Conforme Trentin, municípios da região já registraram, em anos anteriores de El Niño, acumulados mensais entre 350 e 450 milímetros.
Ele defendeu ações preventivas para evitar alagamentos, especialmente a limpeza de sistemas de drenagem e canais de escoamento. “Se não houver drenagem adequada, o volume de água começa a acumular e causa alagamentos”, alertou.