O primeiro semestre de 2026 foi marcado por desafios para o comércio de Bagé. Na avaliação do presidente da Associação Comercial e Industrial de Bagé (Aciba), Leonardo Nocchi Macedo, fatores como a elevada taxa de juros, o alto índice de endividamento das famílias e a retração do consumo impactaram diretamente as vendas no município.


Juros limitam consumo


Segundo Macedo, a taxa Selic elevada dificulta tanto o acesso ao crédito por parte das empresas quanto dos consumidores. Ele explica que o custo do financiamento reduz o poder de compra das famílias e compromete a renda destinada ao consumo.


De acordo com o presidente da Aciba, mais de 80% das famílias brasileiras possuem algum tipo de dívida, situação que influencia diretamente a decisão de realizar novas compras. "Os juros elevados acabam freando o mercado consumidor, pois o crédito fica mais caro e o consumidor compromete uma parcela maior da renda", afirma.


Comércio precisa investir no digital


Outro ponto destacado por Macedo é a necessidade de adaptação do varejo ao comportamento do consumidor. Para ele, o comércio precisa manter a força da loja física, mas também ampliar sua presença nos canais digitais.


O dirigente ressalta que investir em redes sociais, plataformas de vendas e no relacionamento com os clientes é fundamental para fidelizar consumidores. Segundo ele, conhecer os hábitos de compra e manter uma comunicação constante se tornou uma estratégia indispensável para o setor.


Expectativa é de melhora no segundo semestre
Apesar do cenário econômico ainda desafiador, Leonardo Nocchi Macedo acredita que o segundo semestre poderá apresentar resultados melhores para o comércio bageense.


A expectativa está relacionada principalmente ao desempenho do agronegócio. Conforme o presidente da Aciba, a safra de soja teve um resultado considerado satisfatório e a pecuária atravessa um momento favorável, fatores que devem injetar novos recursos na economia regional.


Ele destaca que esse movimento tende a beneficiar não apenas o comércio, mas também os setores de serviços e o mercado imobiliário.


Cenário ainda exige cautela


Mesmo com perspectivas positivas, Macedo alerta que fatores externos podem interferir no desempenho da economia nos próximos meses.
Entre os pontos de atenção estão possíveis impactos internacionais sobre o preço dos combustíveis, que podem pressionar a inflação, além das eleições, que podem influenciar o câmbio e refletir nos preços e no consumo.


Para o presidente da Aciba, o segundo semestre deve ser "levemente melhor" que o primeiro, impulsionado pelas datas comemorativas e pela movimentação econômica do agronegócio, mas ainda exigirá cautela por parte dos empresários.