Casos de envenenamento de cães e gatos têm preocupado moradores de algumas regiões de Bagé, como os bairros Habitar Brasil e Residencial Moria. O aumento da mortandade de animais levou a presidente da Câmara de Vereadores, Beatriz Souza (PSB), a solicitar providências aos órgãos competentes para reforçar a fiscalização e impedir novas ocorrências.
A vereadora pede maior controle sobre a comercialização de produtos que, embora tenham finalidade lícita, possam estar sendo desviados ou utilizados de forma irregular para provocar a morte de animais.
Segundo Beatriz, produtos agropecuários estariam sendo utilizados nos envenenamentos. Conforme relato recebido pela vereadora, os materiais estariam sendo arremessados para dentro dos pátios das residências com o objetivo de intoxicar cães e gatos.
“O envenenamento de animais é um crime que coloca em risco não apenas a vida dos animais, mas também a saúde das pessoas. Precisamos reforçar a fiscalização, responsabilizar os autores e conscientizar a população para evitar novas ocorrências”, adverte a vereadora.
Veterinária orienta sobre sintomas e cuidados
Em entrevista ao Bagé Agora, a médica-veterinária plantonista do Núcleo Bageense de Proteção aos Animais (NBPA), Caroline Ferreira, explicou os principais sinais de intoxicação, os cuidados que devem ser tomados pelos tutores e medidas que podem contribuir para reduzir os casos.
Segundo a profissional, os sintomas mais comuns de envenenamento incluem tremores, apatia, dor abdominal, vocalização intensa, convulsões, excesso de salivação e vômitos. Ao identificar qualquer um desses sinais, a recomendação é procurar atendimento veterinário imediatamente.
Caroline alerta que não devem ser utilizadas receitas caseiras na tentativa de tratar o animal.
“Não é recomendado dar leite com sal, óleo, claras de ovos ou outras combinações. Também não se deve induzir o vômito sem saber qual foi o veneno ingerido, pois isso pode agravar as lesões no trato gastrointestinal”, avisa.
A orientação é manter o animal aquecido até a chegada ao atendimento especializado. Caso tenha ocorrido contato da substância tóxica com a pele ou pelos, o local deve ser lavado com água corrente.
Risco também para seres humanos
A veterinária comenta que os produtos utilizados nesses casos podem representar risco para a população. Segundo ela, entre as substâncias frequentemente envolvidas estão os organofosforados, que também causam intoxicação em seres humanos.
“Esses produtos provocam o mesmo tipo de intoxicação em pessoas e animais, podendo causar consequências graves, inclusive sequelas neurológicas. Por isso, crianças e qualquer pessoa que tenha contato com iscas envenenadas ou com o produto devem redobrar os cuidados”, alerta.
Controle da comercialização
Para evitar novos casos, Caroline defende medidas mais rígidas de controle na venda desses produtos, como a exigência de receituário agronômico e a rastreabilidade dos pontos de comercialização.
Segundo ela, essas medidas podem ajudar a identificar a destinação dos produtos e impedir que sejam desviados para práticas criminosas.
“A obrigatoriedade da prescrição agronômica e o acompanhamento da destinação desses produtos são medidas importantes para garantir que sejam utilizados apenas para os fins aos quais foram destinados, evitando o desvio para casos de envenenamento de animais”, pontua.
Denúncias
Casos suspeitos podem ser denunciados pelos seguintes canais:
Cartório de Crimes Ambientais: (53) 98424-0469
Fiscalização de Maus-Tratos: (53) 98424-0469
Gabinete da vereadora Beatriz Souza: (53) 99975-6563
A orientação é que alimentos ou substâncias suspeitas encontradas em vias públicas, praças ou terrenos não sejam manuseados diretamente.
Em caso de sintomas como vômito, diarreia com sangue, apatia, convulsões ou dificuldade para caminhar, o animal deve ser encaminhado imediatamente para atendimento veterinário.