Geral

Vice-presidente da Farsul analisa impactos do veto da União Europeia à carne brasileira





08/06/2026


A decisão da União Europeia de restringir, a partir de setembro, a importação de carne brasileira produzida com uso de determinados antimicrobianos preocupa o setor agropecuário nacional. Para a Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul), embora existam interesses comerciais por trás da medida, o Brasil também falhou ao não atender dentro do prazo às exigências feitas pelo bloco europeu.


O vice-presidente da Farsul, Paulo Ricardo Dias, afirma que a decisão europeia não pode ser atribuída apenas ao protecionismo econômico.

Segundo ele, o Ministério da Agricultura deixou de responder em tempo hábil aos questionamentos sobre o uso de antimicrobianos na produção pecuária brasileira, abrindo espaço para a adoção da barreira sanitária.


“Sabemos que existe uma proteção natural dos mercados internacionais, especialmente contra um grande exportador como o Brasil. Mas também houve uma negligência do Ministério da Agricultura ao não responder no prazo adequado às solicitações feitas pela União Europeia. Isso acabou dando oportunidade para que uma questão sanitária fosse utilizada como barreira comercial”, avaliou.


Apesar da preocupação, Dias acredita que os efeitos econômicos não serão imediatos. Segundo ele, o mercado da carne segue aquecido, tanto no consumo interno quanto na demanda internacional, o que reduz o impacto de curto prazo.


Ele destaca que a União Europeia não é o principal destino das exportações brasileiras, mas possui relevância estratégica. Em 2025, o bloco europeu importou cerca de US$ 1,8 bilhão em produtos do setor, sendo aproximadamente US$ 1 bilhão apenas em carne bovina.


“É um mercado muito significativo. Se a situação não for revertida até setembro, poderemos sentir algum impacto nos preços e na dinâmica do setor. Por isso esperamos que essas questões sejam esclarecidas e resolvidas antes da entrada em vigor da medida”, afirmou.


O dirigente ressalta que os produtores brasileiros não utilizam antimicrobianos para promover o crescimento dos animais e lembra que a carne exportada para a União Europeia possui rigorosos sistemas de rastreabilidade, que permitem o acompanhamento de todo o histórico sanitário dos rebanhos.


Além disso, ele observa que o setor privado tem buscado alternativas para reduzir possíveis prejuízos, ampliando a presença em outros mercados internacionais. Segundo Dias, a estratégia já foi adotada diante das recentes barreiras comerciais impostas pelos Estados Unidos.


“O setor está atento e tem conseguido realocar parte da produção para outros mercados, que continuam demandando carne brasileira. Existe uma procura internacional forte e estamos sabendo aproveitar essas oportunidades”, disse.


Para a Farsul, contudo, a preocupação vai além das exportações e dos preços. Paulo Ricardo Dias destaca que a União Europeia exerce papel de referência mundial em protocolos sanitários, o que torna a manutenção do acesso ao mercado europeu ainda mais importante para a credibilidade da cadeia produtiva brasileira.


“Além da questão econômica, a União Europeia é um balizador mundial dos padrões sanitários. Por isso, manter esse relacionamento comercial é fundamental para o setor”, pontuou