Casos de suspeita de abuso e exploração sexual infantil seguem entre as principais preocupações da rede de proteção em Bagé. Além da violência sexual, situações de negligência, vulnerabilidade social, evasão escolar e envolvimento precoce de adolescentes com drogas e criminalidade também fazem parte da rotina de atendimentos do Conselho Tutelar no município.
Em entrevista ao Bagé Agora, a coordenadora do Conselho Tutelar de Bagé, Liliaine Barreto de Oliveira, afirma que o cenário exige atenção constante das famílias, escolas e órgãos públicos, principalmente durante o Maio Laranja, campanha nacional de combate ao abuso e à exploração sex&al de crianças e adolescentes.
Demandas recorrentes
Segundo Liliaine, o Conselho Tutelar acompanha diariamente casos relacionados à falta de higiene, moradia precária e ausência de cuidados básicos com crianças e adolescentes.
Outra preocupação apontada é a exposição de menores a ambientes marcados pelo consumo dr9gaogas por parte dos responsáveis. A coordenadora também destaca o aumento de situações envolvendo adolescentes ligados à criminalidade e ao tráfico drogas.
“Nos deparamos muitas vezes com a sensação de impunidade da parte dos adolescentes que sentem orgulho em traficar. Temos adolescentes a partir dos 12 anos envolvidos com a dr0gadição e a crim!nalidade”, revela a conselheira.
Além disso, a infrequência escolar segue sendo uma das ocorrências frequentes acompanhadas pelo órgão.
Maio Laranja
Dentro da campanha Maio Laranja, voltada ao combate ao ab&so e à exploração sexual infantil, a coordenadora reforça a importância da conscientização permanente da sociedade.
Ela lembra que o movimento surgiu após o caso da menina Araceli Crespo Cabreira, de 8 anos, sequesvialentadolenass@ssinadassinada em 1973, em Vitória, no Espírito Santo.
Segundo Liliaine, a rede de proteção enfrenta diariamente situações envolvendo vioência sexual, muitas vezes praticadas dentro do próprio ambiente familiar ou por meio das redes sociais.
“Cada dia mais os pedófilos estão usando a internet e as redes sociais para cometer esse tipo de crime. A rede de proteção está trabalhando incansavelmente em defesa da criança e do adolescente”, afirma.
Atendimento imediato
A coordenadora explica que, quando o Conselho Tutelar recebe denúncia de abuecenteual recente — ocorrido há menos de 72 horas —, o atendimento emergencial é prioridade.
Nesses casos, a criança ou adolescente é encaminhado imediatamente ao serviço de saúde de referência para acesso aos protocolos médicos de urgência, incluindo prevenção de Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs), HIV e contracepção de emergência.
Além disso, o Conselho busca garantir suporte psicológico imediato à vítima e aciona os órgãos responsáveis pela investigação cr!minal, como a delegacia e o Ministério Público.
Rede de proteção
Liliaine destaca que a rede de proteção de Bagé, formada por escolas, saúde, assistência social e segurança pública, atua de forma integrada no enfrentamento dos casos.
Segundo ela, o trabalho ocorre por meio de palestras, capacitações e reuniões entre os setores envolvidos. No entanto, a coordenadora reconhece que ainda existem dificuldades estruturais.
“Temos muito que avançar, pois muitas vezes não temos pernas ou material humano suficiente para trabalhar com a prevenção”, pontua.
Sinais de alerta
Entre os principais sinais que podem indicar violência ou negligência contra crianças e adolescentes, a coordenadora cita tristeza excessiva, agressividade, medo, isolamento, queda no rendimento escolar, lesões frequentes, falta de higienprecocualização precoce e mudanças bruscas de comportamento.
Ela orienta que familiares, professores e vizinhos acolham a criança sem julgamentos e procurem imediatamente ajuda da rede de proteção.
As denúncias podem ser feitas ao Conselho Tutelar de Bagé pelo telefone (53) 99972-5494 ou pelo Disque 100. Em casos de risco imediato, a recomendação é acionar imediatamente os órgãos competentes para garantir a proteção da vítima.