A Câmara dos Deputados aprovou, em dois turnos, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que estabelece jornada de trabalho de 40 horas semanais em cinco dias com dois de descanso, acabando com a escala 6x1, atualmente baseada em um dia de folga e 44 horas semanais de trabalho. O texto prevê uma transição gradual e seguirá agora para análise do Senado Federal.
Em Bagé, o tema preocupa o setor produtivo. O presidente da Associação Comercial e Industrial de Bagé (Aciba), Leonardo Macedo, avalia que a mudança pode trazer impactos negativos para a economia, especialmente no comércio e na indústria.
Segundo Macedo, embora a proposta apresente pontos considerados positivos, como maior tempo livre, bem-estar e convivência familiar para os trabalhadores, os efeitos econômicos imediatos seriam mais prejudiciais do que benéficos.
“O custo da hora trabalhada vai aumentar e isso terá impacto direto nos preços finais dos produtos e serviços”, argumentou.
De acordo com o presidente da Aciba, empresas precisariam contratar mais funcionários ou ampliar o pagamento de horas extras para manter o funcionamento atual das atividades. Para ele, esse aumento de custos acabaria sendo repassado ao consumidor final.
Macedo também mencionou a preocupação com uma possível alta da inflação.
Na avaliação dele, a redução da jornada de trabalho pode pressionar ainda mais o orçamento das famílias brasileiras.
Outro ponto citado pelo dirigente é o alto índice de endividamento da população. Conforme argumentou, muitas pessoas utilizariam o tempo livre para buscar outras fontes de renda, o que, segundo ele, reduziria o principal objetivo da proposta, relacionado ao lazer e à qualidade de vida.
“A maior parte das pessoas não vai ficar em casa descansando. Vai procurar outra atividade para complementar a renda”, observou.
O presidente da Aciba ressaltou ainda que existem estudos que apontam possível aumento de produtividade com jornadas menores, mas avaliou que esses resultados ainda seriam inconclusivos e percebidos apenas a longo prazo.
Por fim, Leonardo Macedo afirmou que a entidade entende que, neste momento, os impactos negativos da mudança superam os positivos e defendeu um debate mais aprofundado sobre o tema antes de qualquer alteração na legislação trabalhista.