O presidente da Associação Comercial e Industrial de Bagé (Aciba), Leonardo Nocchi Macedo, avalia que o fechamento de unidades das redes Deltasul e Quero-Quero em alguns municípios do Rio Grande do Sul é resultado de uma combinação de fatores econômicos nacionais e regionais, e não apenas de dificuldades locais.
Em entrevista ao Bagé Agora, ele falou que a retração do varejo está ligada à queda da renda no campo, aos juros elevados, ao endividamento das famílias e ao aumento dos custos das empresas.
Segundo Macedo, na região da Campanha, a redução dos preços de commodities como soja e arroz diminuiu a circulação de recursos na economia, afetando diretamente o comércio.
"Esses dois eventos acabam tirando muito dinheiro novo do mercado", afirmou.
O presidente da Aciba também apontou a taxa Selic elevada como um dos principais entraves para o varejo. De acordo com ele, o aumento dos juros encarece o crediário, principal forma de pagamento utilizada pelos consumidores na compra de eletrodomésticos, móveis e materiais de construção. Com isso, o custo do financiamento cresce e reduz a capacidade de consumo das famílias.
Endividamento
Outro fator citado foi o alto índice de endividamento da população brasileira. Conforme Macedo, milhões de consumidores enfrentam dificuldades para acessar crédito, o que limita novas compras e impacta diretamente as vendas do comércio.
Além das questões financeiras, ele mencionou a concorrência do comércio eletrônico, que exige adaptação constante das lojas físicas para oferecer preços competitivos, variedade de produtos e melhor experiência de compra aos clientes.
Para o dirigente, o chamado "custo Brasil", marcado por elevada carga tributária e altos custos operacionais, também influencia a decisão das empresas de fechar unidades consideradas menos rentáveis, especialmente em momentos de desaceleração econômica.
Reflexos
Leonardo Nocchi Macedo afirmou que a situação preocupa a Aciba, principalmente pelos reflexos no mercado de trabalho. Segundo ele, Bagé e a região da Campanha ainda apresentam indicadores socioeconômicos inferiores aos de outras regiões do Rio Grande do Sul, e o encerramento de lojas reduz postos de trabalho, amplia a oferta de mão de obra e aumenta os desafios para a economia local.