O fim da cobrança federal de 20% sobre compras internacionais de até 50 dólares, medida conhecida popularmente como “taxa das blusinhas”, deve trazer impactos negativos para o comércio e a indústria da região da Campanha, conforme avaliação da Associação Comercial e Industrial de Bagé (Aciba).
Apesar da manutenção da cobrança do ICMS estadual, a retirada da tributação federal torna os produtos importados ainda mais competitivos em relação aos nacionais. Segundo o presidente da Aciba, Leonardo Macedo, o cenário preocupa especialmente cidades como Bagé, onde o comércio representa uma das principais bases da economia local.
“O produto importado acaba chegando ao consumidor com um custo menor do que o nacional, enquanto a indústria brasileira convive há décadas com impostos elevados”, afirmou.
Macedo destacou que a região já enfrenta dificuldades econômicas provocadas pelos juros altos, retração do consumo e problemas no agronegócio. Conforme ele, a taxa Selic em 14,5% encarece o crédito para consumidores e empresários, reduzindo investimentos e o poder de compra.
O dirigente também citou as frustrações de safra e a queda nos preços de commodities como soja e arroz como fatores que diminuíram a entrada de recursos na economia regional.
Na avaliação da entidade, a medida pode provocar evasão de dinheiro para o exterior, reduzindo a circulação de recursos no comércio local e afetando também a arrecadação pública.
“Esse dinheiro deixa de circular nas cidades e acaba sendo direcionado para fora do país. Isso impacta o comércio, a indústria e também a arrecadação pública”, declarou.
Para a Aciba, os efeitos da mudança devem ser percebidos a curto e médio prazo, especialmente em regiões cuja economia depende diretamente do setor comercial.
FIERGS critica fim da tributação federal
A Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (FIERGS) também se posicionou contra a medida. A entidade afirma que o fim da tributação federal sobre compras internacionais de até US$ 50 representa um retrocesso para o ambiente econômico nacional e compromete a competitividade da indústria brasileira, especialmente a gaúcha.
Segundo a federação, a indústria nacional enfrenta elevada carga tributária, custos trabalhistas e exigências regulatórias, enquanto os produtos importados passam a competir em condições consideradas desiguais. A entidade também aponta possíveis impactos sobre empregos, arrecadação e recuperação econômica do Rio Grande do Sul.
Federação Varejista vê prejuízo ao pequeno comércio
A Federação Varejista do Rio Grande do Sul igualmente manifestou posição contrária às mudanças envolvendo a chamada “taxa das blusinhas”. Conforme a entidade, os impactos mais severos devem atingir pequenos e médios empresários, que representam grande parte do setor varejista brasileiro.
A federação argumenta que os pequenos empreendedores possuem menor capacidade de adaptação financeira e logística, o que dificulta a concorrência com produtos importados vendidos a preços mais baixos. A entidade também avalia que a medida pode comprometer a sustentabilidade do varejo nacional.