Familiares de parentes internados na Santa Casa de Caridade e uma paciente entraram em contato com o Bagé Agora na tarde desta quinta-feira (30). Eles se uniram para pedir ajuda ao portal, pois, segundo os relatos, o hospital estaria sem anestesistas.
Os relatos apontam para a falta de anestesistas como principal motivo para o adiamento de cirurgias, situação que tem causado dor, apreensão e incerteza dentro da unidade hospitalar.
Uma das entrevistadas afirma que a mãe está internada há 10 dias com fratura no fêmur e ainda não conseguiu passar pelo procedimento cirúrgico.
Segundo ela, o médico responsável estaria disponível para operar, mas a ausência de anestesista tem impedido a realização da cirurgia.
“Ela está sofrendo com dor, mesmo com medicação. Já tentaram marcar duas vezes, mas cancelaram por falta de anestesista. A gente está apavorado”, relata.
De acordo com a familiar, outros pacientes enfrentam a mesma situação. Um idoso estaria aguardando há cerca de 18 dias, com sucessivos cancelamentos, além de outras pessoas internadas que também dependem de cirurgia. “Não é só a minha mãe. Tem várias pessoas esperando e nada acontece”, afirma.
Além da preocupação com o quadro de saúde, ela destaca a dificuldade da rotina familiar para acompanhar a paciente. “A gente se divide como pode. Tem dias que não conseguimos ficar o tempo todo com ela. É uma correria diária”, diz, ao defender que a cirurgia permitiria uma recuperação mais adequada em casa.
Indignação
Outro relato reforça o cenário de incerteza. Uma mulher conta que a filha sofreu um acidente de moto em Candiota e foi levada para atendimento, onde teve uma fratura exposta no pé. Após o primeiro procedimento, a família foi informada de que a cirurgia poderia ser feita posteriormente, até mesmo com alta antecipada para aguardar em casa.
Segundo ela, há divergência nas informações repassadas pela equipe médica. “Uns dizem que não pode operar por causa do inchaço, outros falam que não tem anestesista. A gente fica sem saber o que realmente está acontecendo”, desabafa.
A familiar também reclama da falta de comunicação por parte da equipe. “Os médicos passam rápido, não explicam direito e a gente não consegue tirar dúvidas”, afirma.
A situação tem impactado diretamente a vida financeira e emocional da família. A mulher diz que precisou deixar o trabalho para acompanhar a filha e vem enfrentando dificuldades para se manter durante a internação. “Estou pegando dinheiro emprestado. Não sabemos se ela vai pra casa ou quando vai operar. É tudo incerto”, desabafa.
Espera
Uma paciente internada desde o dia 23 também denuncia o problema. Ela sofreu um acidente de moto em Dom Pedrito e teve fratura na tíbia, passando por um primeiro procedimento. Agora, aguarda uma nova cirurgia para retirada de materiais da perna, mas enfrenta o mesmo entrave.
“O médico está no hospital e disse que faz a cirurgia até no feriado, sábado ou domingo. O problema é que não tem anestesista”, afirma.
Segundo ela, a situação se repete com outros internados. “Tem uma senhora diabética que está há cerca de 20 dias acamada esperando e já com escaras”, revela.
A paciente destaca ainda o impacto familiar e financeiro da permanência no hospital. Moradora de outra cidade, ela depende de familiares que precisam se deslocar e se ausentar do trabalho para acompanhá-la. “Se eu conseguisse operar hoje, em poucos dias já estaria em casa. Mas não posso sair daqui por causa disso. É muito gasto, é longe. É difícil aceitar”, disse.
Familiares relatam ainda dificuldades para obter informações junto à administração do hospital. Segundo eles, ao tentarem falar com a direção, foram orientados a agendar atendimento e não conseguiram esclarecimentos imediatos.
Contraponto
O Bagé Agora entrou em contato com a Santa Casa, mas até o fechamento desta reportagem não obteve resposta.