Nesta sexta-feira (14), às 12h30min acontece a inauguração do Centro Avançado de Perícias de Bagé, com a presença do governador Eduardo Leite.
A ex-vereadora Sônia Leite que foi peça- chave para que esse projeto se tornasse realidade, relembra todo o processo e como tudo começou.
Segundo ela, esse é o resultado de uma luta iniciada há quase duas décadas. A articulação começou em 2004, após uma tragédia familiar que, segundo Sonia, não foi esclarecida pela falta de peritos na cidade.
Baratas e sacos com ossos
Na época, ainda como vereadora, Sônia visitou as antigas instalações do Instituto Médico-Legal (IML) e se deparou com uma estrutura precária. Ela relata ter encontrado o local com baratas, sacos com ossos, geladeiras enferrujadas e apenas duas mesas deterioradas para acomodar corpos.
“Foi a pior coisa que eu vi na minha vida”, recorda.
A partir daquele momento, começou a buscar melhorias para o serviço e a articular a construção de uma nova estrutura. Segundo Sônia, o projeto teve início ainda durante um governo do Partido dos Trabalhadores e chegou a garantir cerca de R$ 3 milhões para a obra, mas os recursos foram perdidos por três vezes devido a problemas no processo.
Sete governos
Mesmo diante dos obstáculos, a ex-vereadora afirma que nunca desistiu. Ao longo dos anos, foram inúmeras viagens a Porto Alegre para buscar apoio junto ao Instituto-Geral de Perícias, à Secretaria de Obras e à Secretaria da Segurança Pública.
Sônia conta que a mobilização atravessou sete governos estaduais.
O projeto foi retomado e encaminhado para a execução em Bagé, com a definição da área e a troca de terrenos necessária para a construção.
Obstáculos
Com o projeto finalmente em andamento, outro problema interrompeu a obra por cerca de um ano. Um erro nos cálculos do muro de contenção exigiu alterações no projeto.
Para Sônia, porém, o principal desafio foi conseguir uma empresa disposta a executar a obra. Após várias tentativas sem interessados, surgiu uma construtora que, segundo ela, conheceu sua história e decidiu assumir o trabalho.
“Esse foi o grande desafio, o principal desafio até a obra ser concretizada”, afirma.
Articulação
Sônia também atribui a concretização do projeto à união entre diferentes órgãos, secretarias e autoridades. Ela afirma ter buscado apoio em praticamente todos os governos pelos quais passou o projeto, além de circular por diferentes setores da administração estadual.
“Essa articulação com os diferentes órgãos e as autoridades foi muito importante”, afirma.
Para ela, o novo centro representa uma mudança não apenas na estrutura da perícia, mas principalmente na forma como mortos e familiares serão tratados.
Dignidade
Entre os principais ganhos, Sônia cita a estrutura destinada aos corpos, com mesas e freezers adequados, além dos espaços para familiares, com sala de espera e banheiro.
Ela lembra de situações em que corpos permaneciam por horas em locais improvisados, cobertos por lonas, enquanto aguardavam a chegada de um perito.
“É algo muito triste para todos que olham essa cena. Então, a dignidade é o principal fator para mim”, afirma.
Sonho realizado
Sônia define o Centro Avançado de Perícias como um sonho pessoal que acompanhou durante anos. Segundo ela, o resultado final superou as expectativas e criou uma estrutura que considera de primeira linha e que pode servir de modelo em alguns aspectos para o Estado.
A ex-vereadora conta que acompanhou a obra de perto e chegou a organizar churrascos para os trabalhadores como forma de incentivá-los durante a execução.
“Eu acompanhei tijolo por tijolo”, diz.
Inauguração
Apesar da felicidade pela conclusão da obra, Sônia admite estar frustrada com a forma como a inauguração será realizada. Ela havia planejado uma grande celebração, com música composta por Evandro Paz, participação de uma banda e um churrasco para as equipes envolvidas na construção.
Segundo ela, a inauguração será mais restrita em razão do período eleitoral.
“Eu queria que fosse uma festa, eu queria que fosse uma inauguração, onde milhares de pessoas chamadas por nós, por mim, estivessem lá. Não é assim. Porém, estou altamente feliz”, afirma.
Para Sônia, independentemente do formato da cerimônia, a entrega do Centro Avançado de Perícias encerra uma espera de quase duas décadas e representa, acima de tudo, a garantia de mais dignidade para vítimas, familiares e profissionais que atuam na perícia.