O violonista argentino Lucio Yanel, que completa 80 anos de idade e 65 de carreira em 2026, participa neste sábado (5), das 17h às 18h, de uma sessão de autógrafos na LEB Livraria & Cafeteria. A atividade integra a programação da 14ª Galponeira de Bagé e marca o lançamento da segunda edição do livro O Violão Pampeano de Lucio Yanel: memórias de um fazer musical no Sul do Brasil, escrito pelo pesquisador José Daniel Telles dos Santos.
A obra é resultado de duas décadas de pesquisa e busca reconstruir a trajetória de um músico que ajudou a transformar a maneira de tocar violão no Rio Grande do Sul.
Segundo José Daniel, Yanel desenvolveu uma linguagem própria, capaz de transformar o violão em um verdadeiro instrumento orquestral, reunindo melodia, acompanhamento, baixo e harmonia em uma única execução.
A influência do músico argentino atravessou gerações. Entre os instrumentistas que tiveram contato com sua obra e foram influenciados por sua linguagem estão nomes como Yamandu Costa, Carlos Guedes, Marcello Caminha, Maurício Marques e Chacombo.
Para o pesquisador, a importância de Yanel vai além da carreira individual e está ligada à consolidação de uma identidade para o violão regional gaúcho.
Uma pesquisa de 20 anos
A construção do livro também foi marcada por desafios. Parte importante do acervo pessoal de Yanel foi perdida durante uma mudança, na década de 1990, quando o músico morava em Santa Catarina. Fotografias antigas, troféus e outros documentos acabaram extraviados.
Diante da ausência desse material, José Daniel buscou outras fontes para reconstruir a história do artista. Foram consultadas matérias de jornais, fotografias e documentos preservados por músicos, fãs e pessoas que acompanharam a trajetória de Yanel.
A história oral também teve papel fundamental. O pesquisador realizou diversas entrevistas com o próprio violonista e com músicos influenciados por seu trabalho, entre eles Yamandu Costa, Maurício Marques, Chacombo e Marcello Caminha.
De argentino a “patrimônio nosso”
Um dos episódios destacados no livro mostra como a relação de Yanel com o Brasil começou de maneira inesperada.
Após participar de festivais na Europa e passar pela antiga União Soviética, o músico fez uma escala em Recife. Durante a passagem pelo Brasil, conheceu artistas brasileiros e decidiu não seguir viagem para Buenos Aires. Enquanto sua bagagem continuou até a Argentina, Yanel permaneceu no Brasil acompanhado dos novos amigos.
A partir daquele momento, passou a viajar pelo país, conhecer diferentes culturas e se aproximar cada vez mais da música brasileira, até estabelecer residência em São Paulo.
Para José Daniel, essa trajetória ajuda a explicar a ligação especial do músico com o Brasil.
“É alguém totalmente desprovido de uma rigidez. Desce no meio do caminho com amigos que faz numa turnê e passa a conhecer a cultura de outro lugar, passa a viver. Então, enfim, é um argentino com alma brasileira, é um grande patrimônio nosso”, define o pesquisador.