Quatro anos após o início da guerra entre Ucrânia e Rússia, a data reacende sentimentos de indignação, tristeza e resistência para o casal Joel Santos Costa e Julia Susana Stepaniuk. Eles viveram no país do Leste Europeu entre 1995 e 2005 e, atualmente, residem em Bagé, onde acompanham à distância os desdobramentos do conflito.
Para Santos, o marco de quatro anos completados no dia 24 de fevereiro representa “uma guerra que não deveria ter iniciado”, ressaltando que, na visão dele, a Ucrânia foi invadida pela Rússia com o objetivo de conquistar território e garantir saída estratégica ao mar. “É difícil aceitar uma guerra injusta contra um povo pacífico”, afirma.
Mesmo morando no Brasil, o casal mantém contato frequente com amigos que permanecem na Ucrânia. Segundo Santos, muitos relatam as agressões sofridas pelo exército russo. Apesar do cenário de tensão, ele destaca que, felizmente, as pessoas próximas não sofreram danos diretos até o momento.
Acompanhar o conflito à distância, vivendo em Bagé, não diminui a angústia. “Sentimos muito por termos amigos e parentes morando lá”, relata. As informações chegam por meio da imprensa e também por contatos diretos com ucranianos que vivenciam a realidade da guerra. “Além da imprensa local, recebemos informações dos próprios ucranianos”, explica.
Joe Santos também ressalta que o conflito não alterou sua relação com a cultura do país. “Continuo com os mesmos sentimentos”, afirma. Para ele, é importante que os brasileiros compreendam que o povo ucraniano “é pacífico, hospitaleiro e amável” e que está lutando para defender sua terra, sua identidade e suas tradições. “Não quer esta guerra, mas está defendendo seu direito de existir”, pontua, defendendo que a Ucrânia merece apoio por ser a nação invadida.
Já Julia destaca que, mesmo após mais de duas décadas fora do país, a cultura ucraniana permanece viva no cotidiano da família. Em uma das fotos que guarda com carinho, aparece vestida com traje típico ucraniano — símbolo da identidade que preserva com orgulho.
Descendente direta de ucranianos, ela conta que mantém tradições, especialmente na culinária e nas celebrações.
“Mesmo que a gente já faça anos que não mora lá, continua vivendo essa cultura, continua amando essa cultura”, afirma. Algumas comidas típicas e festas tradicionais seguem sendo celebradas pela família, reforçando os laços com as raízes. “Somos muito apegados a essa cultura”, completa.