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O Natal segundo cada religião: espíritas, Umbanda, muçulmanos, Anglicana, católicos e evangélicos





24/12/2025

O Natal é celebrado de diferentes formas, de acordo com a fé, a cultura e a realidade de cada comunidade. Em Bagé, a reportagem conversou com lideranças religiosas de diversas tradições para conhecer a ótica de cada uma sobre o significado do Natal e como a data é vivenciada na região.

Espíritas


De acordo com Claudia Irizaga, para a doutrina espírita, o Natal é a retomada do amor, pois o personagem principal desta data é Jesus. "E Jesus é, conforme a nossa doutrina, nosso modelo e guia para a humanidade. Os valores que retomamos, e que deveriam estar enraizados ao longo de todos os dias, são o amor, a solidariedade e a fraternidade. Todos esses sentimentos humanizam e contribuem para que as pessoas possam ser versões melhores de si mesmas. Toda doutrina que nos convida ao amor e ao exercício permanente da solidariedade tem muito a contribuir para que a humanidade evolua no sentido do amor e da sensibilidade", disse.

Umbanda

O sacerdote de Umbanda e dirigente do Centro Espiritualista Nova Era, Veraldo de Souza Lima, comenta que a Umbanda é uma religião brasileira, resultado da miscigenação de quatro tradições: a pagelança indígena, a católica trazida pelos europeus, o culto aos orixás dos escravos africanos e, por lidar com espíritos, também influenciada pelo espiritismo. "Vemos o Natal como o renascimento do Cristo Menino. Infelizmente, muitos esquecem do aniversariante, mas, do nosso ponto de vista, é uma data para nos aproximarmos e nos aliarmos aos nossos irmãos. Como a Umbanda tem influência da religião católica, adotamos e aceitamos as explicações da Bíblia: Jesus nasceu para nos salvar, é o Filho de Deus feito homem e retornou à Terra para nos salvar, dando a vida por nós", pontuou.
O religioso acrescentou que é uma data para estreitar laços. "A troca de presentes serve para aproximar as pessoas, e, muitas vezes, entre irmãos que viviam alguma desarmonia, o Natal é uma ocasião para estreitar laços e voltar a nos querer bem", falou.

Muçulmanos

Conforme o empresário Nasser Yussuf, o mundo muçulmano, o islamismo, não comemora o Natal. "Existe, sim, grande respeito entre cristãos e muçulmanos. Na Palestina, sempre conviveram de forma harmoniosa e solidária, sem discriminação, seja em relação a muçulmanos ou cristãos. Há muitos cristãos palestinos, por exemplo. Uma das maiores comunidades palestinas do mundo é no Chile, que comporta cristãos e muçulmanos. Quem cuida dos templos cristãos em Belém são muçulmanos. Inclusive, uma das coisas mais bonitas que já vi na Palestina foi a harmonia e solidariedade entre cristãos e muçulmanos", enfatizou.

Anglicana do Brasil

A reverenda Ana Maria Esvael Lopes explica que, na Igreja Episcopal Anglicana do Brasil, que é cristã, o Natal significa a encarnação de Deus em nosso Senhor Jesus Cristo. "Jesus foi concebido por Maria para trazer salvação a todas as pessoas. O Natal é uma data muito importante do calendário cristão, pois reúne as famílias, promove reconciliação, perdão, solidariedade e fraternidade. Muitos grupos se organizam para ações sociais, distribuindo alimentos, brinquedos e roupas a quem precisa. Mas não podemos esquecer que Jesus é o centro da festa, o nosso salvador, que veio trazer paz e amor ao mundo", argumentou.
Segundo a reverenda, no dia 24/12, a Igreja Episcopal Anglicana do Brasil celebrará a missa às 20h na Matriz do Crucificado. "Convidamos todos para participar da celebração, com família e amigos, agradecendo a Deus pelo nascimento de nosso Senhor Jesus Cristo, que veio trazer paz, amor e fraternidade", acentuou.

Católica

Para o bispo Dom Frei Cleonir Paulo Dalbosco, os valores do Natal contribuem para a convivência, a paz e a solidariedade. "O Natal é uma das festas mais importantes da Igreja Católica, celebrado como o nascimento de Jesus Cristo, Filho de Deus, que se fez homem para salvar a humanidade", disse.
Na tradição católica, o Natal é uma festa de alegria e esperança, que celebra o amor de Deus e é oportunidade de refletir sobre família, amizade e solidariedade. "A Igreja ensina que o Natal é tempo de conversão, renovação espiritual e compromisso com a justiça e a paz", mencionou.
Segundo o bispo, os principais valores que o Natal desperta são:
Amor e compaixão: lembrar o amor incondicional de Deus e cuidar uns dos outros.
Solidariedade e generosidade: compartilhar, especialmente com os mais necessitados.
Paz e reconciliação: superar conflitos e diferenças.
Família e comunidade: valorizar e fortalecer laços familiares e comunitários.
Esperança e otimismo: acreditar que, mesmo nas dificuldades, há sempre uma luz para nos guiar.
"Oremos para que o Menino Jesus nos enriqueça com paz e amor, e nos inclua em seu projeto de vida e esperança. Paz e bem".


Evangélicos
Conforme o presidente da Ordem dos Ministros Evangélicos de Bagé (OMEB), pastor Ruben Ferreira, o Natal é, para os evangélicos, a celebração do grande amor de Deus revelado na vinda de Jesus Cristo ao mundo.
"Mais do que uma data marcada por enfeites e luzes, o Natal é tempo de reflexão espiritual, oportunidade de 'colorir o coração' e permitir que a mensagem desta data transforme atitudes, sentimentos e comportamentos. Lembra a comunhão entre Deus e os seres humanos, expressa no nascimento de Jesus, que veio trazer esperança, salvação e reconciliação. Essa compreensão incentiva gratidão, alegria, amor, humildade e empatia", ressaltou.
Segundo o pastor, esses valores contribuem significativamente para convivência, paz e solidariedade, incentivando gestos de bondade e cuidado com o próximo. "Ao vivenciar o Natal dessa forma, os evangélicos promovem relações mais fraternas, fortalecem laços comunitários e ajudam a construir uma sociedade mais justa, pacífica e acolhedora para todos", falou.