A comunidade muçulmana de Bagé vive o Ramadã com fé, união e tradição, mesmo longe de países de maioria islâmica. Neste ano, o mês sagrado começou no dia 18 de fevereiro e segue até 20 de março.
Durante esse período, os fiéis praticam jejum do nascer ao pôr do sol, intensificam as orações, reforçam a caridade e promovem encontros para a quebra do jejum. Mais do que deixar de comer, o Ramadã é marcado por reflexão, disciplina, empatia e fortalecimento espiritual — valores que também aproximam a comunidade bageense.
Em entrevista ao Bage Agora, o líder da comunidade muçulmana jovem de Bagé, Farid Nimer Yusuf fala sobre esse período sagrado.
Qual é o significado do Ramadã para os muçulmanos?
O Ramadã é o mês mais sagrado do calendário islâmico. Foi nesse período que o Alcorão começou a ser revelado ao profeta Maomé.
É um tempo de jejum, oração, reflexão e solidariedade. Do nascer ao pôr do sol, os muçulmanos se abstêm de comer, beber e de outros prazeres físicos, buscando fortalecer a fé, a disciplina e a proximidade com Deus (Allah).
Mais do que deixar de se alimentar, o Ramadã é um período de purificação espiritual, controle das emoções e prática do bem.
Como o senhor explicaria o Ramadã para quem não é muçulmano?
Eu diria que o Ramadã é um período semelhante à Quaresma para os cristãos, porém vivido de forma ainda mais intensa no cotidiano.
É um mês de: autoconhecimento, gratidão, caridade, união familiar e fortalecimento espiritual. O jejum ensina empatia por aqueles que passam por dificuldades e reforça valores como paciência, humildade e solidariedade.
Como a comunidade muçulmana em Bagé vive o Ramadã, estando longe de países de maioria islâmica?
Mesmo distante de países de maioria islâmica, a comunidade mantém viva a tradição por meio da união.
Há encontros coletivos para a quebra do jejum (iftar)? Onde costumam acontecer?
Sim. Sempre que possível, são realizados encontros para o iftar (quebra do jejum ao pôr do sol).
A comunidade é numerosa em Bagé? Como vocês se organizam durante esse período?
Em cidades do interior, como Bagé, a comunidade não é muito grande, mas é bastante unida.
Como os fiéis conciliam jejum, trabalho e estudos no dia a dia?
A rotina segue normalmente. Os fiéis trabalham, estudam e cumprem seus compromissos diários.
O segredo está na organização: dormir mais cedo, quando possível, alimentar-se bem no suhoor (refeição antes do amanhecer), manter hidratação adequada durante a noite, administrar a energia ao longo do dia. O jejum ensina disciplina e equilíbrio.
Quais são os principais desafios de viver o Ramadã no sul do Brasil?
No sul do Brasil, especialmente no inverno, os dias costumam ser mais curtos — o que facilita o jejum. Já no verão, os dias são mais longos e o calor pode ser intenso, tornando o jejum mais desafiador.
O horário do jejum muda bastante nesta época do ano? Isso impacta a rotina?
Sim. Como o calendário islâmico é lunar, o Ramadã ocorre cerca de 10 a 11 dias antes a cada ano em relação ao calendário solar.
Isso faz com que, ao longo dos anos, o mês sagrado passe por todas as estações, impactando a duração do jejum.
Que tradições são mantidas durante o Ramadã aqui em Bagé?
Mesmo longe de países islâmicos, são mantidas tradições como: Oração noturna (Tarawih), leitura completa do Alcorão durante o mês, Iftares em família, doações aos necessitados (Zakat e Sadaqah).nA essência do Ramadã é preservada.
Há ações solidárias ou atividades abertas à comunidade?
Sim. O Ramadã também é um mês de caridade. Asolidariedade é um dos pilares desse período.
Que mensagem o senhor deixaria à comunidade bageense sobre esse período sagrado?
O Ramadã é um convite à reflexão, à empatia e ao respeito entre as pessoas. Embora seja um período sagrado para os muçulmanos, seus valores — solidariedade, compaixão, disciplina e gratidão — são universais.
Que possamos aproveitar esse tempo para fortalecer os laços humanos, promover o entendimento e construir uma cidade cada vez mais unida e respeitosa com todas as crenças.