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Comunidade muçulmana mantém tradições do Ramadã em Bagé





19/02/2026

A comunidade muçulmana de Bagé vive o Ramadã com fé, união e tradição, mesmo longe de países de maioria islâmica. Neste ano, o mês sagrado começou no dia 18 de fevereiro e segue até 20 de março.

 

Durante esse período, os fiéis praticam jejum do nascer ao pôr do sol, intensificam as orações, reforçam a caridade e promovem encontros para a quebra do jejum. Mais do que deixar de comer, o Ramadã é marcado por reflexão, disciplina, empatia e fortalecimento espiritual — valores que também aproximam a comunidade bageense.

 

Em entrevista ao Bage Agora, o líder da comunidade muçulmana jovem de Bagé, Farid Nimer Yusuf fala sobre esse período sagrado.

 

Qual é o significado do Ramadã para os muçulmanos?

O Ramadã é o mês mais sagrado do calendário islâmico. Foi nesse período que o Alcorão começou a ser revelado ao profeta Maomé.

É um tempo de jejum, oração, reflexão e solidariedade. Do nascer ao pôr do sol, os muçulmanos se abstêm de comer, beber e de outros prazeres físicos, buscando fortalecer a fé, a disciplina e a proximidade com Deus (Allah).

Mais do que deixar de se alimentar, o Ramadã é um período de purificação espiritual, controle das emoções e prática do bem.

 

Como o senhor explicaria o Ramadã para quem não é muçulmano?

Eu diria que o Ramadã é um período semelhante à Quaresma para os cristãos, porém vivido de forma ainda mais intensa no cotidiano.

É um mês de: autoconhecimento, gratidão, caridade, união familiar e fortalecimento espiritual. O jejum ensina empatia por aqueles que passam por dificuldades e reforça valores como paciência, humildade e solidariedade.

 

Como a comunidade muçulmana em Bagé vive o Ramadã, estando longe de países de maioria islâmica?

Mesmo distante de países de maioria islâmica, a comunidade mantém viva a tradição por meio da união.

 

Há encontros coletivos para a quebra do jejum (iftar)? Onde costumam acontecer?

Sim. Sempre que possível, são realizados encontros para o iftar (quebra do jejum ao pôr do sol).

 

A comunidade é numerosa em Bagé? Como vocês se organizam durante esse período?

Em cidades do interior, como Bagé, a comunidade não é muito grande, mas é bastante unida.

 

Como os fiéis conciliam jejum, trabalho e estudos no dia a dia?

A rotina segue normalmente. Os fiéis trabalham, estudam e cumprem seus compromissos diários.

O segredo está na organização: dormir mais cedo, quando possível, alimentar-se bem no suhoor (refeição antes do amanhecer), manter hidratação adequada durante a noite, administrar a energia ao longo do dia. O jejum ensina disciplina e equilíbrio.

 

Quais são os principais desafios de viver o Ramadã no sul do Brasil?

No sul do Brasil, especialmente no inverno, os dias costumam ser mais curtos — o que facilita o jejum. Já no verão, os dias são mais longos e o calor pode ser intenso, tornando o jejum mais desafiador.

 

O horário do jejum muda bastante nesta época do ano? Isso impacta a rotina?

Sim. Como o calendário islâmico é lunar, o Ramadã ocorre cerca de 10 a 11 dias antes a cada ano em relação ao calendário solar.

Isso faz com que, ao longo dos anos, o mês sagrado passe por todas as estações, impactando a duração do jejum.

 

Que tradições são mantidas durante o Ramadã aqui em Bagé?

Mesmo longe de países islâmicos, são mantidas tradições como: Oração noturna (Tarawih), leitura completa do Alcorão durante o mês, Iftares em família, doações aos necessitados (Zakat e Sadaqah).nA essência do Ramadã é preservada.

 

Há ações solidárias ou atividades abertas à comunidade?

Sim. O Ramadã também é um mês de caridade. Asolidariedade é um dos pilares desse período.

 

Que mensagem o senhor deixaria à comunidade bageense sobre esse período sagrado?

O Ramadã é um convite à reflexão, à empatia e ao respeito entre as pessoas. Embora seja um período sagrado para os muçulmanos, seus valores — solidariedade, compaixão, disciplina e gratidão — são universais.

Que possamos aproveitar esse tempo para fortalecer os laços humanos, promover o entendimento e construir uma cidade cada vez mais unida e respeitosa com todas as crenças.